Como é incômoda esta gente que tem mania de julgamentos.
Sei não, sempre fui um pouco fechado, àspero, errado, tão eu, tão meu, mas
desde sempre compreendi que cada um tem um pecado em si. Um dia tu também vais
compreender que todo mundo é um pouco assim, meio áspero, meio-amargo, chato.
Que ninguém é de ferro, bonito por perto. Ninguém tem sempre o cheiro de
flores, todos erraram nos gestos, nas falas, nas cartas, nos versos. Um dia, tu
e eu vamos notar e entender que somos apenas humanos, como é triste esta coisa
de julgar, ser julgado. Um dia tu e eu iremos aprender que da vida alheia não
se cuida, do sentimento alheio não se menospreza, o coração alheio não se
machuca… Que nem tudo é o que parece, que nem tudo que reluz é ouro, que as
brincadeiras são cheias de verdades, e as mentiras, são cheias de corações de
brincadeira (tão triste esta gente que leva sentimentos alheios na brincadeira,
a vida não é feita de sentimentos contados, de fazer o que se quer o que se
gosta, o que se faz), todos nós somos inocentes, todos nós somos culpados desta
vida que sempre roda como ciranda de pedra, que nos tira as dores, que nos dá
as costas. Tão boa seria esta gente, tão bom seria este dia se as mentiras me
doessem menos nos nervos, se eu não fosse tão julgado, se todos estes juízes
virassem sapos. Tão boa seria esta vida, se todos, todos nós, ficássemos um
pouco mais calados…
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